Pesquisa realizada pela Pfizer junto a com a GO Associados mostra o ganho do país com o investimento na compra de vacinas, impactando diretamente na retomada econômica

O investimento feito pelo Brasil na compra de vacinas contra a Covid-19 foi comprovadamente um dos itens com melhor custo-benefício para o país no combate à pandemia.

Conforme a pesquisa realizada pela Pfizer em parceria com a GO Associados, divulgada nesta quarta-feira (8), para cada R$1 investido em vacina, foi gerado um impacto positivo de R$9 no Produto Interno Bruto (PIB).

O estudo mostra que, ano passado, o país investiu R$21,79 bilhões na aquisição de vacinas, gerando um ganho de R$200 bilhões para a economia.

“É muito raro encontrar uma ferramenta com esse grau de eficiência. Quando a cobertura vacinal começa a crescer, ela tem um impacto muito forte sobre a mobilidade, que por sua vez tem um impacto da mesma magnitude no Produto Interno Bruto”, destacou o professor da FGV e sócio da GO Associados, Gesner Oliveira.

Impacto das medidas na economia

O economista chama a atenção para os benefícios da cobertura vacinal em decorrência de outras medidas que tiveram que ser adotadas durante a pandemia, mas que trouxeram impactos negativos para a economia.

“Muitas ferramentas machucaram a economia na pandemia, especialmente o lockdown. Quando isso acontecia, diminuía a disseminação do vírus, mas o desemprego aumentava. Se não fizesse o lockdown, a situação sanitária piorava”, explica.

Segundo Oliveira, já com a vacina o caso foi diferente. “Ela aumenta a proteção contra o vírus e também a proteção econômica. O setor de serviços foi muito beneficiado com isso”, acrescentou.

O professor ressaltou ainda o desempenho do mercado de trabalho em abril, que teve saldo de 196 mil vagas formais no mês, conforme divulgação do Caged na semana passada.

“60% desse resultado vem do setor de serviços, porque está havendo uma reabertura, uma volta à normalidade que permite que a economia funcione”, pontuou.

Ele também salientou a importância de uma cooperação internacional para a vacinação da população de todos os países, pois, além da questão sanitária, a cobertura vacinal é benéfica economicamente para o comércio internacional.

O economista, por fim, destacou que a vacinação contra o coronavírus coloca um ponto final no impasse entre saúde e economia, evidenciando os resultados da pesquisa da Pfizer e da GO Associados.

“A vacina é uma ferramenta de política pública que elimina o conflito entre saúde e economia. Em determinados momentos entramos nesse dilema, mas com a cobertura vacinal isso não acontece, pois ela permite a mobilidade das pessoas com segurança”.

Metodologia da pesquisa

Para a análise dos impactos da vacinação na economia, foram consideradas duas abordagens econométricas: regressões descontínuas e controle sintético.

A primeira tomou como base uma projeção de dimensão nacional, levando em conta o retorno às atividades após a imunização.

“Considerando que a mobilidade urbana é uma proxy para o PIB, e supondo que o PIB fosse crescer em magnitude similar ao coeficiente positivo e significativo estimado correspondente à janela de 360 dias, de 2.626%: pode-se atribuir à vacinação um aumento de quase R$200 bilhões na atividade econômica, valor nove vezes maior do que o total efetivamente gasto com a aquisição de vacinas”, pontuou a pesquisa.

Já a segunda trouxe uma abordagem municipal, pegando como base dados da cidade de Serrana (SP) e comparando com uma realidade fictícia na qual os habitantes não foram vacinados.

Vale ressaltar que o controle sintético é um método estatístico que permite a criação de uma unidade hipotética (contrafactual) não tratada a partir de dados observáveis.

“A vacinação em massa foi responsável pela redução de 25 óbitos por 100 mil habitantes em maio de 2021, no estudo de caso realizado em Serrana”, apontou o estudo.

Fonte: Contábeis.

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