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Veja como fica o rendimento da poupança com a alta da Selic para 4,25% ao ano

Caderneta de poupança passa a ter retorno de 0,25% ao mês e de 2,98% ao ano, mas deve continuar perdendo para a inflação. Em maio, rendimento real da aplicação financeira foi o pior dos últimos 30 anos.

 

Com a elevação da taxa básica de juros (Selic) para 4,25% ao ano, a caderneta de poupança passará a render um pouquinho mais. A rentabilidade passará a ser de 0,25% ao mês e 2,98% ao ano, segundo cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac).

Antes, com a Selic a 3,5% ao ano, o rendimento da aplicação financeira mais popular do país estava em 0,20% ao mês e de 2,45% ao ano.

Nesta quarta-feira (16), o Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a Selic pela terceira vez consecutiva, de 3,50% para 4,25% ao ano, confirmando as expectativas do mercado.

Mesmo rendendo um pouco mais, vale lembrar que a poupança vem perdendo para a inflação há meses. Já são 9 meses seguidos que a modalidade amarga uma queda no poder de compra.

Pela regra em vigor desde 2012, quando a Selic está abaixo de 8,5% a correção anual da caderneta de poupança é limitada a um percentual equivalente a 70% dos juros básicos mais a Taxa Referencial (TR, que está em zero desde 2017).

Simulação de aplicação de R$ 10 mil

 

Veja como fica um rendimento de R$ 10 mil na poupança num prazo de 12 meses, considerando a manutenção da nova taxa de retorno, segundo simulações do diretor executivo da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira:

  • Antes: rendimento era de R$ 245 (totalizando R$ 10.245 ou 2,45% ao ano)
  • Agora: rendimento será de R$ 298 (totalizando R$ 10.298 ou 2,98% ao ano)

 

Vale destacar, porém, que os depósitos feitos até abril de 2012, na chamada “poupança velha”, continuam rendendo 0,50% ao mês e 6,17% ao ano (ou R$ 617 para cada R$ 10 mil aplicados).

Poupança x inflação

 

Desde setembro do ano passado, a poupança vem perdendo rentabilidade.

Em maio, o retorno em 12 meses, descontada a inflação medida pelo IPCA, foi de -6%, segundo levantamento da provedora de informações financeiras Economatica. Foi o pior rendimento real da poupança desde outubro de 1991, quando o poupador perdeu -9,72% em 12 meses.

Rentabilidade real da poupança em 12 meses — Foto: Economia G1

Rentabilidade real da poupança em 12 meses — Foto: Economia G1

Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,83% e a inflação oficial do país atingiu 8,06% em 12 meses.

Os economistas do mercado financeiro projetam atualmente uma taxa de 5,82% para o IPCA em 2021, acima do teto da meta do governo para o ano, que é de 5,25%. Já a previsão para a Selic no fim de 2021 está em 6,25% ao ano, o que embute novas altas na taxa de juros nos próximos meses.

Outros investimentos em renda fixa

 

A elevação da Selic também tende a melhorar a rentabilidade de outras aplicações financeiras em renda fixa, como investimentos em títulos públicos, vendidos por meio do Tesouro Direto, além de Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA).

Embora a poupança deva continuar perdendo para a inflação, a Anefac destaca que a modalidade continuará se destacando, por exemplo, frente aos fundos de renda fixa, principalmente sobre aqueles cujas taxas de administração sejam superiores a 1% ao ano.

Vale lembrar que os rendimentos da caderneta de poupança são isentos do pagamento de imposto de renda e de taxas de administração. Numa aplicação no CDB, por exemplo, o investidor precisaria obter uma taxa de juros de cerca de 85% do CDI para ter a mesma rentabilidade líquida da poupança, já que as aplicações em CDB pagam IR de acordo com o prazo de resgate da aplicação, destaca a Anefac.

Selic: Veja onde investir com a taxa básica de juros em 2%

Pela terceira vez, o Copom manteve a taxa selic em 2% ao ano; Entenda os impactos.

Selic: Veja onde investir com a taxa básica de juros em 2%

Na sexta-feira, (9), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, pela terceira vez, manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 2% ao ano, a mínima histórica.

A taxa da Selic é referência para investimentos de renda fixa. Quanto mais baixa ela está, menor o retorno das aplicações financeiras.

Crise

O avanço das vacinas contra o coronavírus colabora para acelerar o ritmo de retomada do crescimento da economia no mundo, inclusive no Brasil.

No país, já se sabe que o governo não vai estender o pagamento do auxílio emergencial e outros programas, o que traz um certo alívio para as contas públicas.

E ainda houve uma aceleração acentuada da inflação, em parte explicada pela alta no preço dos alimentos, puxada pelo dólar, e outra parte, pela alteração na cobrança de tarifa de energia elétrica pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

“Essa incerteza em relação ao cenário inflacionário coloca dúvida sobre a sustentabilidade da Selic”, explica Felipe Sichel, estrategista-chefe do banco digital Modalmais. “Acho que a história do BC de que a alta da inflação é temporária está cada vez mais difícil de se sustentar.”

Ele projeta que haverá um aumento gradual da Selic na virada do primeiro para o segundo semestre.

“Com a pandemia no retrovisor, economia acelerando e expectativa de inflação subindo, o Banco Central vai ter que agir contra isso”, estima. Com juro muito baixo, as pessoas e empresas consomem mais, porque o dinheiro fica mais barato. O aumento da demanda contribui para aumentar a inflação.

Investimentos

Em meio a esse novo cenário de maior probabilidade de alta na Selic e de uma alta mais rápida do que se esperava no ano que vem, investimentos de renda fixa típicos de reserva de emergência, como CDBs, conta de banco digital com rendimento automático, fundos do tipo simples e Tesouro Selic, podem voltar a pagar um pouquinho melhor, mas não é nada que vai mudar sua vida.

“A recomendação de investimentos teoricamente não muda. Se a Selic sair de 2% para 4%, ainda assim é um patamar baixo de rentabilidade, dado o patamar que o investidor estava acostumado. Ainda que a Selic dobre, vai seguir baixa”, afirma Deibert Fernandes de Aguiar, assessor de investimentos da corretora Terra.

No último boletim Focus, divulgado na segunda-feira (7) pelo Banco Central, antes da reunião do Copom, o mercado previa que a Selic terminaria 2021 em 3% ao ano. Já para a inflação oficial do país, medida pelo IPCA, a estimativa era de 3,34% no final do ano que vem. Mesmo ainda rendendo pouco, abaixo da inflação, não há como escapar dessas aplicações financeiras de renda fixa para a reserva de emergência, segundo especialistas.

O ideal é ter nessa reserva um caixa equivalente a partir de seis meses de custos fixos. Não abra mão da rentabilidade mínima aceitável, ou seja, 100% do CDI, e tenha cuidado com as taxas cobradas, que pesam mais com a Selic em 2% ao ano. CDBs e contas de banco digital automático não cobram taxa, mas têm o risco da instituição financeira média quebrar e você levar um tempo até ser remunerado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Fundos de investimentos do tipo simples podem ser isentos de taxa de administração, mas nem todos são. E Tesouro Selic não cobra taxa de custódia para investir até R$ 10 mil, mas depois disso, cobra.

Renda fixa

Além da reserva de emergência, que precisa estar disponível para saque a qualquer hora, há oportunidades na renda fixa para investir um dinheiro que pode ficar preso na aplicação financeira por um prazo maior, segundo especialistas.

Dois investimentos que vão se beneficiar da subida de juros mais rápida são as LCIs e as LCAs, isentos de Imposto de Renda. Quanto maior o prazo, maior o rendimento, mas é preciso considerar se o prazo do título fecha com os planos de vida. “É difícil encontrar outro ativo para pessoa física que vai render mais do que LCIs e LCAs”, diz Aguiar.

No Tesouro Direto, também há oportunidades. O cenário levemente melhor que se desenhou para as contas do governo tem reduzido as taxas oferecidas nos títulos públicos do Tesouro Direto. Os juros oferecidos tinham subido muito e agora está acontecendo uma correção. O mercado tem exigido um “prêmio”, no jargão financeiro, cada vez menor para encarar o risco.

Mas ainda há prêmios altos, dado que os rumores sobre a ameaça ao teto de gastos devem continuar em 2021, na avaliação de Rodrigo Franchini, sócio e chefe de produtos da Monte Bravo Investimentos. “Se olharmos a tendência de melhora no consumo no ano que vem, é natural que as taxas das faixas estressadas diminuam. Recomendo aproveitar antes que caia mais. Se 2021 for um ano razoavelmente bom, você vai perder a oportunidade”, sugere Franchini.

Ele indica comprar títulos pós-fixados atrelados à inflação de prazo médio, de até dez anos. Mais do que isso, o risco é muito alto, e menos do que isso, os prêmios não compensam. O legal desses títulos é que o investidor pode ganhar também com a alta da inflação. Mas o investidor precisa deixar o dinheiro preso até o final do prazo de investimento se quiser ter o retorno combinado.

Títulos prefixados no Tesouro Direto são arriscados demais agora, na opinião de Franchini. Se a Selic subir mais do que o esperado, o investidor corre o risco de ficar preso em um investimento que paga menos.

Renda variável

O cenário menos adverso que se desenhou para a recuperação do crescimento econômico no mundo e para as contas do governo no Brasil trouxe menos volatilidade à bolsa nos últimos 45 dias, desde a última reunião do Copom. O investimento em bolsa tem sido muito impulsionado pela Selic na mínima história. No entanto, segundo especialistas, mesmo com uma alta mais rápida do que esperada na taxa básica de juros, a bolsa segue com boas perspectivas.

“A bolsa continua sendo uma boa posição, mesmo com ajuste mais rápido de juros. Eles vão subir, mas em velocidade lenta. O prêmio pelo risco da bolsa ainda é vantajoso”, diz Franchini. Quem não quer encarar tanto risco pode investir em fundos imobiliários e fundos multimercados, intermediários. Isso, claro, pensando em deixar o dinheiro por no mínimo dois anos.

Investimentos no exterior também seguem atrativos, segundo Franchini. Ele diz que faz sentido não apostar em uma única economia, mesmo com as perspectivas de melhora pra o Brasil. “Acho que todo investidor que se considera moderado tem que ter alocação externa”, diz. “Se engana quem acha que não precisa se proteger no ano que vem. A alocação internacional faz sentido para se proteger do risco fiscal”, afirma.

Ele sugere investir em fundos internacionais, em que um gestor faz a análise fundamentalista e escolhe os papéis pelo investidor, em vez de nos BDRs, um jeito de aplicar em empresas gringas na bolsa brasileira. “Mas não um fundo que se diz global e só aplica certo percentual. Escolha gestores que estão lá fora”, aconselha.

Fonte: Contábeis.com.br com Informações de Valor Investe