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Paraná fica três meses sem soja para combater ferrugem asiática

Por determinação da Adapar, de 10 de junho a 10 de setembro lavouras não podem conter plantas de soja. Penas vão de multas até interdição da propriedade

Começou nesta segunda-feira (10) o período chamado de vazio sanitário da soja, no qual os produtores ficam expressamente proibidos, por três meses, de ter plantas da oleaginosa em suas lavouras. A medida tem como objetivo reduzir a incidência dos esporos de um temido fungo, o Phakopsora pachyrhizi, causador da principal doença que tira o sono dos sojicultores: a ferrugem asiática.

A doença tem potencial de prejuízos bilionários e até mesmo de inviabilizar a continuidade da cultura, caso não sejam tomadas as devidas precauções. No último ciclo, por exemplo, houve o registro de 58 casos no Paraná. O Estado foi o vice-campeão nesse quesito, atrás apenas do Rio Grande do Sul, com 127 casos. O Mato Grosso do Sul foi o terceiro com maior incidência: 54 casos. Os dados são do Consórcio Antiferrugem.

A engenheira agrônoma do SENAR-PR Flaviane Medeiros enfatiza que no período de 10 de junho a 10 de setembro, conforme portaria da Agência de Defesa Agropecuária (Adapar), nenhuma planta de soja deve existir nas lavouras paranaenses. “O período é importante porque interrompe o ciclo do causador da ferrugem asiática, que é um fungo biotrófico, ou seja, precisa da planta viva de soja para sobreviver. Esse período de vazio sanitário interrompe esse ciclo e reduz a incidência do fungo na hora que for ocorrer o plantio, a partir de 10 de setembro”, explica.

Ainda de acordo com a técnica do SENAR-PR, é comum que na hora da colheita da soja fiquem sementes que caem da colheitadeira no solo, gerando o que se configura como plantas voluntárias. “As plantas acabam emergindo na lavoura. A recomendação é que se eliminem todas essas plantas. O produtor vai lá e faz a capina ou passa algum herbicida que mate essas plantas de soja”, pontua.

Flaviane explica que é impossível eliminar o fungo por completo. Mas, com essa medida, de deixar o solo sem plantas hospedeiras, o que acontece é um retardamento no aparecimento da ferrugem na próxima safra. “É importante lembrar que a determinação é feita por meio de portaria e é obrigatória”, lembra. Os produtores estão sujeitos desde multas até a interdição da propriedade caso não cumpram as recomendações.

Prejuízos bilionários

A Embrapa Soja, com sede em Londrina, no Norte do Paraná, estima que o controle da ferrugem asiática, por safra, consuma, em média, US$ 2,8 bilhões. As estratégias de manejo da doença são: o vazio sanitário, a utilização de cultivares precoces, a semeadura no início da época recomendada, o uso de cultivares com genes de resistência e o uso de fungicidas. Estes últimos vêm, em sua maioria, tendo sua eficiência reduzida a cada ano.

Para ajudar os produtores a ter mais informações sobre como estão os estudos sobre o uso de produtos químicos, manejos, focos de incidência e outras informações importantes, a Embrapa possui o seguinte site: www.embrapa.br/soja/ferrugem . Outra fonte importante de dados sobre o assunto é o site do Consórcio Antiferrugem: www.consorcioantiferrugem.net .

Fonte: Sistema FAEP/SENAR-PR

Estria bacteriana do milho já está presente na região Oeste do Paraná

Sintomas da doença incluem formação de pequenas pontuações nas folhas, que posteriormente evoluem para lesões alongadas e estreitas

Os produtores de milho, principalmente aqueles localizados na região Oeste do Estado, têm um novo inimigo à vista. A estria bacteriana do milho, doença causada pela bactéria Xanthomonas vasicola pv. vasculorum, foi identificada oficialmente pela primeira vez no Paraná em 2018. Porém, relatos de produtores e técnicos indicam a presença desde 2017.

Esse ano, a doença já ocorreu na primeira e na segunda safras do grão. De acordo com o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) Rui Pereira Leite, produtores e técnicos da região Oeste do Paraná relataram que a bactéria está mais severa e ocorrendo em maiores áreas. “Como é uma doença recente, não temos muitas informações. Mas alguns estudos apontam que pode reduzir até 50% a produção em alguns híbridos de milho”, aponta.

A transmissão da bactéria ocorre de diversas formas. “Quando infecta a planta, a bactéria causa lesões nas folhas, e quando ocorre a exsudação vem para fora da planta. Desta forma, as partículas podem ser carregadas pelo vento, ou, quando chove, as gotículas de água carregam a bactéria para outras partes da planta e para outras plantas”, explica o pesquisador do Iapar.

O agente da doença foi registrado pela primeira vez na África do Sul em 1949, mas, recentemente, houve manifestações da enfermidade em lavouras dos Estados Unidos e da vizinha Argentina. “Ainda não se sabe, com certeza, de onde veio a doença que está ocorrendo no Paraná. Mas em 2017 a bactéria foi registrada em várias províncias da Argentina, e em 2016 constatada nos Estados Unidos, onde foi relatado que houve danos severos no Meio-Oeste americano, principalmente em áreas com milho irrigado”, observa Leite.

Segundo o pesquisador, em áreas onde o problema já ocorreu, a bactéria pode sobreviver em restos de plantas. “Então, onde se faz milho após milho numa área que já teve a doença, existe um grande risco de as plantas serem infectadas logo que comecem a crescer”, observa.

Os sintomas da doença incluem formação de pequenas pontuações (entre dois e três milímetros) nas folhas, que posteriormente evoluem para lesões alongadas e estreitas, circundadas por uma mancha amarelada. Ainda, as bordas das lesões são onduladas, o que diferencia esta doença de sintomas semelhantes causados pela cercospiriose, uma doença fúngica.

Prevenção

De acordo com o pesquisador do Iapar, diversos cuidados devem ser adotados para manter a estria bacteriana do milho o mais longe possível. A utilização de sementes de boa qualidade e procedência comprovada é a primeira, uma vez que existem indícios de que a doença pode ser transmitida pelas sementes. A utilização de híbridos mais resistentes também é recomendada. Leite também ressalta incorporar os restos de cultura ao solo e fazer a rotação de cultura.

“Mas não com plantas que sejam suscetíveis [à doença]. Estamos fazendo estudos para verificar se plantas forrageiras podem ser hospedeiras. Já sabemos que pode ocorrer em aveia e arroz, mas não em leguminosas, como a soja, por exemplo”, explica.

FONTE: FAEP/SENAR-PR