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Startups paranaenses encontram nicho na pecuária

Ainda que não seja uma realidade para todo o setor, a revolução digital
encontrou no setor agropecuário um potencial a ser explorado de tal maneira, que as tecnologias se tornaram aliadas para o desenvolvimento do campo e suas formas de produção.

De olho nestas transformações, as startups, empresas em fase inicial que possuem uma proposta de negócio inovadora e com um grande potencial de crescimento, ocuparam um novo nicho de mercado. As AgTechs, termo utilizado para empresas de tecnologia aplicada ao setor rural, passaram a viabilizar soluções e modelos de gestão para os agricultores e pecuaristas.

O Brasil também está colhendo os frutos desta tendência mundial. De acordo com a AgTech Garage, um dos principais hubs de inovação no agronegócio no país, houve um aumento de, pelo menos, 150% no número destas startups entre 2016 e 2018.


Ainda, no 2º Censo AgTech Startups Brasil, realizado em parceria com a Esalq/USP e com apoio do Sistema CNA, 12 das 184 AgTechs que participaram do estudo são paranaenses.

Outro estudo realizado pela Associação Brasileira de Startups (ABS) mostra que, no total, 70% do território nacional têm startups que trabalham com agronegócio e, 37% dos Estados brasileiros possuem, no mínimo, três AgTechs. A região Sul se destaca pela maior representatividade, onde o Paraná aparece com 10% das AgTechs brasileiras.

Ou seja, o agronegócio é um ecossistema propício ao desbravamento por meio das startups, principalmente no Paraná. E a inegável vocação do Estado para o agronegócio é uma vantagem a ser aproveitada. Na pecuária, uma série de startups paranaenses já está à disposição dos produtores. Confira algumas delas, que podem colaborar na gestão da propriedade.

Gestão intuitiva

A Leigado surgiu em 2016, no município de Dois Vizinhos, no Sudoeste do Estado, com o objetivo de oferecer um software de gestão na pecuária de leite. De acordo com Giandro Masson, um dos sócios-fundadores, a ideia se manifestou a partir da convivência em propriedades rurais da família e amigos, que enfrentam empecilhos no manejo do gado leiteiro e no gerenciamento do negócio.

“Sempre acompanhei de perto essa área. Meu sogro é produtor de leite e via as dificuldades que ele tinha. Para ter acesso a uma informação simples sobre um animal, ele puxava uma pilha de papéis e perdia muito tempo”, diz. Na época, já existiam alguns softwares destinados à pecuária de leite, mas o sistema não era intuitivo, o que dificultava o manuseio por parte dos produtores.

A startup duovizinhense disponibiliza um software que, além de englobar toda a parte técnica de gestão dos animais, possui a administração financeira e de estoque.

Os produtores também têm acesso a um aplicativo que pode ser utilizado de forma offline para fazer o lançamento dos dados. “Mesmo sem conexão, o produtor consegue utilizar o sistema. Depois tudo é sincronizado”, aponta Masson.

O software permite a automação do manejo do rebanho e da produção de leite na propriedade. O pecuarista pode fazer ajustes de temperatura, controlar os equipamentos à distância e até ter uma previsão de data para secagem do animal. “Os animais deixam de produzir por gestão ineficiente. Com o sistema, temos relatos de aumento de até 20% da produção. O software vai transformar dados em informação para fazer um controle melhor da propriedade”, explica o criador do sistema.

Ainda, o software da Leigado garante uma boa gestão com tecnologia acessível, para transformar a propriedade em uma empresa, estimulando a sucessão familiar. “O jovem precisa entender que não precisa estar com a mão na massa. É possível participar da gestão de outra maneira”, destaca.

As funcionalidades do sistema voltadas para o manejo incluem produção, como qualidade do leite, média de produção e dias em lactação; reprodução, como diagnóstico de gestação, intervalo entre partos e idade do primeiro parto; características zootécnicas do rebanho, como o histórico completo dos animais; e sanidade, que abrange itens como medicações agendadas, protocolos e ocorrência de enfermidades. Além disso, o produtor pode fazer o controle financeiro da propriedade e do estoque dos seus produtos.

Atualmente, a startup atende uma média de 400 propriedades, com clientes em 17 Estados e também fora do país – Portugal, Bolívia e México.

Definir padrões

Também no município de Dois Vizinhos, Everton Somenzi é um dos sócios-fundadores da Farmin e da MooTalk. A Farmin surgiu em 2015 com foco em desenvolvimento de soluções para gestão da pecuária de corte. Com um time de veterinários e zootecnistas, o software permite o monitoramento do rebanho.

O objetivo é melhorar a qualidade do rebanho (caprinos, ovinos e bovinos) pelo monitoramento de índices zootécnicos. Com os dados coletados no campo e os registros de rotina do manejo, o software da Farmin consegue apontar as melhores decisões. O sistema funciona de modo offline, por meio de um smartphone ou tablet.

Desta forma, o produtor consegue detectar problemas com antecedência e ter um histórico de cada animal, que auxiliam na melhoria da produtividade do rebanho. “Por exemplo, é possível identificar se um animal está com o ganho de peso abaixo da média do rebanho, detectar a prenhez de uma matriz ou mesmo saber qual o reprodutor mais apto e as fêmeas mais receptivas”, explica Somenzi.

A partir da Farmin, então, surgiu a MooTalk, desta vez para a pecuária de leite. Ainda em fase de testes, um brinco com chip em cada animal permite monitoramento do rebanho em tempo real, coletando informações zooténicas, de produção e reprodução. Nas propriedades onde acontecem os testes, a estimativa é de aumento de lucratividade em, pelo menos, R$ 100 por animal.

“O bovino de leite é muito de padrões e, por isso, estamos criando um volume de dados para conseguirmos desenhar esses padrões e entender melhor o comportamento do rebanho. Queremos detectar os instintos naturais do animal e fazer bom proveito disso”, esclarece, Somenzi.

Soluções diversificadas

Nos Campos Gerais, no município de Castro, a Confort’Agro buscou unir soluções para produtores de aves, suínos e gado de leite. Desde a sua criação, o software permite o monitoramento de ambiência dos aviários, granjas e currais, com controle de temperatura, sensação térmica, velocidade de ar e outras funcionalidades. O produtor pode acessar o sistema, de forma remota, e fazer as alterações necessárias. “Tudo pode ser feito pelo celular, com câmera para ver movimentação dos animais e acesso ao controlador em tempo real”, explica Márcio Perin, sócio-fundador da empresa. “Quanto melhor o controle da ambiência, menor o desgaste de energia do animal. Quanto menor o desgaste por homogeneidade térmica corporal, menos gasto de energia e toda energia absorvida pelo alimento vai ser transformada em produção”, acrescenta.

Ainda, na alimentação, existem silos de armazenagem e sistemas de pesagem em que, com um chip no animal, é realizada a distribuição de ração de acordo com o peso e a necessidade de cada cabeça.

Além de soluções para a pecuária, por meio de parcerias, a Confort’Agro também trabalha com biodigestores, tratamento de dejetos e produção de energia solar. “Hoje, o produtor quer um produto que não dê trabalho, possa instalar, automatizar ao máximo com o menor custo de mão de obra”, afirma.

Perin explica que a empresa também entrega projetos completos de acordo com a viabilidade de infraestrutura. Os produtores, principalmente que trabalham com avicultura, estão cada vez mais interessados na energia solar, devido à redução dos custos de produção que essa tecnologia proporciona. Ainda que não seja uma tecnologia diretamente relacionada à gestão da atividade pecuária, o impacto é extremamente significativo.

“Todo produtor busca, principalmente, o custo-benefício sobre a aquisição, que traz mais longevidade e tranquilidade a atividade”, finaliza.

Fonte: Sistema FAEP

Maior produção do País, erva-mate envolve 100 mil famílias no Paraná

Divulgação

O Paraná concentrou 87% de toda a produção de erva-mate do País em 2018. Do total de 393 mil toneladas, 345,09 mil saíram do Estado, especialmente da região Centro-Sul, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor possui forte impacto social, garantindo emprego e renda para ao menos 100 mil famílias no Estado, informa a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.

São Mateus do Sul, novamente, foi o município que registrou o maior volume de erva-mate extrativa no ano, com 70 mil toneladas, o que representa 17,8% do total nacional. A cidade, sozinha, produz mais do que os dois outros Estados no ranking nacional, somados – Rio Grande do Sul (24,8 mil toneladas) e Santa Catarina (23 mil toneladas). O cultivo movimentou R$ 468,4 milhões no ano passado no Brasil.

São paranaenses, as dez cidades que mais produziram no ano passado. Além de São Mateus do Sul, se destacaram Cruz Machado (55.200 toneladas), General Carneiro (30.600), Bituruna (30.000), Paula Freitas (21.840), Inácio Martins (15.980), Palmas (14.342), União da Vitória (13.500), Irati (12.200) e Pinhão (9.500).

A erva-mate é o principal produto florestal não madeireiro e seu cultivo é totalmente agroecológico. Por ser plantada na maior parte do Paraná em áreas sombreadas, não exige desmatamento e nem emite carbono. O governador Carlos Massa Ratinho Junior destaca a implementação de políticas públicas para incentivar ainda mais o cultivo da erva-mate. “A ideia é fomentar, melhorar a renda das famílias, produzir alimentos cada vez mais saudáveis e fazer com que a agricultura familiar possa industrializar esses alimentos”, afirmou.

Qualidade

Secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara ressalta a qualidade da erva-mate paranaense, caracterizada por uma grande produção em áreas com sombreamento. “Precisamos valorizar o esforço do Paraná, que cultiva o produto em ervais sombreados, o que garante um sabor menos amargo”, diz.

“Há um capricho todo especial dos nossos agricultores em relação ao adensamento também, o que nos permitiu ganhar um selo de qualidade, mostrando que aquela erva é um produto diferenciado de determinada região do nosso Estado”, completa. O certificado de qualificação foi entregue em 2017 para os municípios de São Mateus do Sul, Antônio Olinto, Mallet, Rebouças, Rio Azul e São João do Triunfo. Ao todo, 136 cidades cultivam erva-mate no Paraná.

Escola

Como forma de estimular ainda mais o consumo da erva-mate no Estado, a secretaria de Educação e Esporte estuda a inclusão do chá na merenda escolar. A proposta já recebeu sinalização positiva do Governador Ratinho Junior e está em fase final de elaboração.

“Os números do IBGE são a prova da importância da erva-mate, especialmente para o Sul do Paraná. O potencial comercial do produto é enorme e precisa do apoio do poder público para se fortalecer cada vez mais”, diz o líder do Governo na Assembleia Legislativa, deputado Hussein Bakri. “O Governo está trabalhando em várias frentes para ajudar na geração de emprego e renda a todos os envolvidos com a produção da erva-mate”, afirma ele.

Consumo

No Brasil, 96% do consumo da erva-mate é para chimarrão e 4% em chás e outros usos. O desafio, de acordo com Ortigara, é agregar valor e ampliar o mercado, já que a participação na grade de exportação brasileira ainda é pequena, reservando cerca de 10% da produção para a venda internacional.

“A erva-mate vem ganhando espaço no mundo pela diferenciação dos produtos que se permite fazer. Vai desde o tradicional chimarrão, passando pelos chás quentes ou gelados, até cosméticos e produtos de limpeza e higiene”, explica o secretário.

De acordo com Rogério Nogueira, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, o Paraná exportou 3 mil toneladas de erva-mate no ano passado. “90% da produção vai para o Uruguai, que tem uma produção insignificante”, disse.

Estado quer usar áreas próximas às linhas de energia para ampliar produção

O Paraná busca ampliar a produção de erva-mate usando áreas próximas às linhas de energia elétrica. O projeto de lei, de autoria do deputado estadual Hussein Bakri, tramita na Casa e foi aprovado por unanimidade pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A proposta estabelece uma faixa de segurança mínima de 15 metros de cada lado da rede e determina que a altura máxima das árvores não poderá ultrapassar 3 metros. “A medida vai incentivar outras culturas como o plantio da erva-mate, gerando renda para o meio rural”, explicou Bakri.

O projeto prevê que a poda das árvores será de responsabilidade do proprietário da terra, exceto nos casos em que houver risco de segurança, quando a Copel deverá ser acionada. Se as regras não forem cumpridas, a concessionária poderá podar ou mesmo retirar as árvores. O prazo para adequação à nova legislação será de 7 anos.

Segundo a justificativa da proposta, em algumas regiões do Paraná, a vegetação é responsável por mais de 50% das interrupções no sistema de distribuição de energia elétrica. Boa parte dos casos envolve o reflorestamento de eucaliptos, que, durante vendavais e tempestades, entram em contato com os cabos condutores e deixam casas e fábricas sem luz por várias horas. Há ainda a questão da segurança de pessoas e animais, agravada pelo risco de incêndios florestais.

Fonte: Agência Estadual de Notícias

Logística reversa de embalagens de agroquímicos do Brasil é a melhor do mundo

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Por André Amorim

O produtor rural paranaense já sabe: depois de utilizar um produto agroquímico, precisa lavar a embalagem três vezes (tríplice lavagem) e encaminhá-la para a reciclagem. Desde o ano 2000 essa prática faz parte da rotina do homem do campo, que consolidou o Brasil como o maior recolhedor deste tipo de embalagem no mundo.

No centro deste trabalho está o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), entidade sem fins lucrativos formada pelas associações das indústrias de agroquímicos no Brasil, para dar conta de uma legislação que obriga os fabricantes a realizarem a logística reversa das embalagens. Ou seja, as empresas precisam dar o encaminhamento ambientalmente correto destes materiais após o seu uso no campo.

De acordo com o coordenador regional de operações do InpEV no Paraná, Fábio Macul, essa história começa ainda antes do ano 2000. Na época do então governador Jaime Lerner foi criado o projeto “Terra Limpa”, que levou o Estado a se tornar o primeiro do país a manter um programa de recolhimento, armazenamento e reciclagem de embalagens de agroquímicos. “Só que o governo estadual descobriu que não tinha o que fazer com aquelas embalagens. E o volume era muito grande”, recorda.

Logo na sequência, a Lei Federal 9.974/00, promulgada em junho de 2000 e regulamentada em 2002, trouxe novidades para o setor ao atribuir a cada agente da cadeia agrícola – produtor, comerciante, fabricante e poder público – a responsabilidade pela devolução das embalagens usadas dos produtos agroquímicos. Nesse contexto, o InpEV surgiu para integrar todos os elos desta cadeia produtiva e gerenciar o sistema de logística reversa.

Desde que entrou em funcionamento, em 2002, o instituto já recolheu mais de 537 mil toneladas de embalagens. O número pode ser conferido no “Embalômetro”, sistema de contagem disponível no site do InpEV (www.inpev.org.br) que aumenta a cada minuto, conforme mais material é recolhido.

Hoje, segundo Macul, o índice de devolução das embalagens usadas no Brasil é de 94%. Para efeito de comparação, em segundo lugar no ranking mundial vem a Alemanha, com 70%, e, na sequência, o Canadá, com 65%. “Nós somos reconhecidos no mundo como excelência no tratamento desses resíduos. Recebemos visitas de outros países para entender como a gente promove a gestão desse negócio num país continental”, diz o coordenador do InpEV.

O Paraná é o segundo Estado brasileiro em volume total de entregas, atrás somente do Mato Grosso. De acordo com Macul, isso poderia se explicar pelo consumo maior destes produtos no Estado do Centro-Oeste. O índice de entregas paranaense é de 98% do utilizado, acima da média nacional.

Do total recolhido, 97% são encaminhados à reciclagem, onde se tornam novos produtos, como embalagens de produtos agroquímicos, fechando o ciclo de vida dos produtos. Os 3% restantes, que por algum motivo não podem ser reciclados, são incinerados.

Para realizar o recolhimento, o InpEV dispõe de uma rede formada por postos e centrais, presentes em diversos municípios. No Paraná são 51 postos de recebimento e 13 centrais, além de 3 mil locais de entrega.

Outra forma de destinar as embalagens é o recebimento itinerante, por meio do qual as associações especificam um calendário para o recolhimento. Desta forma, o produtor sabe que naquele dia será feita a coleta num local perto dele. Basta entrar no site do InpEV e verificar o calendário na região. Em todo Brasil são mais de 5 mil postos de recebimento.

Entrega correta

Parte da responsabilidade no processo de logística reversa cabe ao produtor rural. Antes de destinar a embalagem vazia ao InpEV, é preciso realizar a tríplice lavagem (veja abaixo como efetuar o procedimento). Esse processo é indispensável para a reciclagem e deve ser feita conforme norma específica (NBR 13.968) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

No ato de entrega das embalagens, o produtor deve retirar o comprovante de devolução. O documento, que precisa ficar guardado por cinco anos, é a prova de que o produtor fez a destinação correta da embalagem.

Fonte: Paraná Portal

Aniversário do SESCAP-PR: confira as ações que marcam os 31 anos

Eventos, brindes e sorteios marcam o mês de aniversário da entidade

Ainda dá tempo de aproveitar a programação de aniversário do SESCAP-PR. São eventos, brindes e sorteios que marcam os 31 anos da entidade. “Criamos ações especiais a fim de valorizar os empresários e profissionais que fazem parte da nossa história e todos estão convidados a fazer parte desta programação”, destaca o presidente Alceu Dal Bosco.

Confira algumas ações que ainda irão acontecer:

Em Curitiba, associados ganham uma limpeza dental ao agendar uma avaliação no consultório odontológico. (Atendimento exclusivo em Curitiba). Clientes e participantes dos cursos também concorrerem a um sorteio no fim de setembro de uma bolsa integral de curso de inglês, um vale de agência de viagens, diária e refeição em hotéis.

Em Guarapuava, nesta quarta-feira, dia 25, Associados poderão participar da palestra gratuita “Saúde Integrativa: Como driblar as adversidades do trabalho e manter-se saudável”, com a fisioterapeuta Larissa Schindler Pereira. O evento tem início às 17h30 com um café e, ao fim da palestra, haverá sorteio de brindes. Inscreva-se aqui.

No dia 26 de setembro, a diretora regional de Guarapuava, Gisele Tocheto Goes Piasecki, também participará de uma mesa-redonda na Semana de Contabilidade da Faculdade Campo Real. Ela falará aos estudantes sobre a carreira contábil.

Ações especiais também acontecem nas cidades de Arapongas, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Toledo e Umuarama.

Palestra on-line gratuita!

Até o dia 30 de setembro, os associados terão acesso gratuito à palestra “Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD”, apresentado pela especialista Lilliana Bortolini, que está disponível de forma on-line no site: www.sescap-pr.org.br/cursos. Inscreva-se já!

Saiba mais!

Acesse www.sescap-pr.org.br e fique por dentro da programação.

“Aproximação com os EUA pode reerguer indústria de açúcar e etanol no Paraná”

“Enquanto usineiros e produtores sucroalcooleiros do Nordeste brasileiro tentam derrubar o decreto presidencial que aumentou a cota não taxada de importação de etanol norte-americano, os empresários paranaenses veem nessa aproximação comercial uma boa oportunidade para o setor se reerguer no estado. É que, embora a negociação entre Brasil e EUA não tenha sido atrelada a uma contrapartida imediata, abre espaço para uma futura exportação maior de açúcar e de etanol.”

“O decreto do presidente Jair Bolsonaro (PSL), emitido no fim de agosto, elevou de 500 milhões de litros para 750 milhões de litros a quantidade importada de etanol dos Estados Unidos isenta da tarifa de 20%. O movimento irritou usineiros dos estados nordestinos, que têm um cenário de demanda muito acima da oferta. É neste vácuo, aliado à questão logística, que o etanol norte-americano deve entrar. E competindo até de forma confortável, já que é mais barato (ele é feito de milho, grão subsidiado pelo governo Donald Trump).

Ainda que o Nordeste seja um comprador de etanol paranaense, a entrada do made in america não afeta significativamente nosso mercado, já que o volume enviado é irrisório. “Concorremos, sim, com os americanos, mas temos um mercado consumidor muito grande [no próprio estado], além de exportarmos para a Coreia do Sul e mesmo EUA. Ou seja, temos como escoar essa safra”, defende Luiz Eliezer, economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).

Segundo números da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), o Paraná até compra etanol de outros estados, em determinados períodos. Produzimos em torno de 1,4 bilhões de litros e estamos consumindo na faixa de 2 bilhões, apontam os números.

Se a concessão do governo brasileiro não afeta a produção paranaense, uma sinalização de aproximação ajuda e muito, na avaliação de Miguel Tranin, presidente da Alcopar Tranin também lidera outros sindicatos deste segmento no estado: de produção de açúcar (Siapar), etanol (Sialpar), biodiesel (Sibiopar) e cogeração de energia elétrica a partir de biomassa e gás (Sibielpar). Ele, que participou das negociações com o governo brasileiro, até admite que o acordo não era a intenção inicial. “A primeira [opção] era acabar com a cota e tarifar tudo. A segunda, ter uma contrapartida, a de que os EUA taxassem menos açúcar brasileiro. A última era prorrogar por mais um ano o limite de 600 milhões de litros. Aí o governo insistiu pelo caminho da abertura [sem contrapartida imediata] para uma aproximação comercial”, destaca.”

“Na opinião de Tranin, é uma estratégica que pode gerar bons frutos para o etanol e o açúcar paranaenses. “Os EUA são um mercado muito interessante. Tem vários produtos de interesse de exportação e se olharmos o cenário como um todo”, diz. “A expectativa do setor é que [a aproximação comercial] possa abrir as portas para outros produtos, ou quem sabe um pouco mais de açúcar no futuro [o açúcar brasileiro é tarifado em US$ 339 por tonelada no país]. Tem muita gente vendo um horizonte muito bom para este produto, que não andava tão bem”, avalia.

Depois de anos de glória (entre 2000 e 2009), em que o açúcar brasileiro viu seu preço quase triplicar, o commodity voltou a patamares “normais” de US$ 0,40 por libra/peso (medida usada para valorar o açúcar), o preço voltou para entre US$ 0,12 e US$ 0,15. Nos últimos anos, a indústria paranaense viu cair a capacidade de processamento de cana de açúcar de 46 milhões de toneladas para 34 milhões de toneladas.

Para o professor de economia Wanderley Soares, é uma aposta. Ele sustenta que a aproximação comercial pode facilitar outros acordos de isenção de taxa que o governo federal estuda com Mercosul e União Europeia. “É uma sinalização interessante, caso se concretize em acordos. Temos um potencial de produção no Paraná, assim como no Brasil, que pode aumentar. Entrar em outros mercados pode trazer ao jogo novamente uma série de usinas que fecharam nos anos de crise e de políticas equivocadas”, avalia.

De acordo com a Alcopar, o setor passou por momentos críticos pós-2015. Das 30 usinas de etanol e açúcar que funcionavam no estado, apenas 20 restaram. Além disso, a produção de cana de açúcar foi “empurrada” para o Norte e Noroeste do estado, já que o plantio de soja e a criação de frango e suíno se mostrou bem mais atraente nos anos recentes.

A área de plantio de cana-de-açúcar ainda está em queda no estado. Pelos números do Companhia Nacional de Abastecimento, a área de corte para 2019/20 está estimada em 534,4 mil hectares, o que representa uma redução de 6,1% em relação à safra anterior. “Essa redução está atrelada à preferência das unidades de produção por áreas mais planas, que sejam aptas para a realização da colheita de forma mecanizada, além da concorrência que o setor enfrenta com outras culturas, como soja e milho, principalmente de fornecedores”, diz o relatório.

No entanto, com alguns sinais de melhora. “De modo geral, a produtividade média prevista, até o momento, é de 66.188 kg/ha, sendo 6,1% maior que o rendimento obtido na temporada anterior, reflexo da renovação das lavouras na última safra, haja vista que lavouras mais novas possuem um potencial produtivo superior”, aponta o Conab.

De olho no mercado mundial

Para Miguel Tranin, a aproximação de Estados Unidos e Brasil pode tornar o etanol de ambos os países mais atrativos para o mercado mundial. “Há alguns anos, sentamos com o governo japonês e uma das inseguranças deles era que só o Brasil produzia etanol. Como é que eles poderiam adotar uma política de etanol a nível nacional com só um fornecedor? E se dá uma frustração de safra? Eles observaram que precisava de mais uma fonte de produção para poder adotar o etanol com segurança e ter mais alternativas comerciais”, relembra.

“E para isso precisamos dos Estados Unidos”, ele indica. Tranin aponta que um dos mercados-alvo é a China, com uma frota de veículos de 320 milhões de unidades para comparar, o Brasil tem 50 milhões de carros. “É um mercado que acenou agora e está chamando muito a atenção do Brasil. Eles estão abrindo a possibilidade de adicionar 10% de etanol à gasolina de sua frota”, ele descreve. É um mercado que deve fazer a alegria de brasileiros e americanos.”

Fonte: Gazeta do Povo