Category Archives: Destaques

Como serão os shoppings no pós-coronavírus?


Glauco Humai, presidente da Abrasce, conta como é o protocolo de reabertura dos empreendimentos, que devem receber consumidores para compras previamente definidas e mais rápidas


  Por André de Almeida  22 de Maio de 2020 às 07:00

  | Repórter andre.dcomercio@gmail.com


Segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o Brasil conta atualmente com 105,6 mil lojas distribuídas em 577 shoppings, que empregam 1,1 milhão de trabalhadores.

O faturamento do setor, em 2019, foi de R$ 192,8 bilhões e os centros de compras receberam uma média de 502 milhões de visitantes por mês no ano passado.

Diante desses números, a entidade projetou um 2020 ainda melhor, com a inauguração de 19 novos shoppings até o final do ano. No entanto, com a pandemia do novo coronavírus, apenas três empreendimentos puderam ser inaugurados, nos meses de janeiro e fevereiro.

“A inauguração dos demais foi adiada para o ano que vem ou mesmo indefinidamente, até que tenhamos uma visão mais clara da recuperação sanitária do país”, afirma Glauco Humai, presidente da Abrasce.

Em algumas cidades e regiões, onde o quadro de evolução da covid-19 é baixo e o sistema de saúde consegue suportar tranquilamente a demanda de novos casos, os shoppings já começaram a ser reabertos.

Até o momento, 88 empreendimentos voltaram a funcionar no país, mas com operações reduzidas e seguindo um protocolo de medidas que visam reforçar a higienização dos espaços, além de um procedimento minucioso para garantir a saúde de clientes e colaboradores.

De acordo com Humai, a reabertura deve ser gradual e os shoppings já têm plena capacidade de operar de forma segura. “O nosso lema agora é higienização total e aglomeração zero”, diz.

Quanto ao cenário pós-pandemia, o dirigente acredita que, inicialmente, com as áreas de entretenimento fechadas, os consumidores frequentarão os shoppings principalmente para fazer compras programadas.

“No começo haverá menos circulação e menor tempo de permanência. Entretanto, gradualmente o setor voltará ao que era antes. A estrutura não será modificada e os empreendimentos continuarão sendo não apenas opções de compras, mas também de lazer, entretenimento e convivência”, destaca Humai.

A seguir, o presidente da Abrasce fala mais sobre o cenário para os shopping centers durante e após a pandemia:   

Quais os impactos da pandemia no setor de shopping centers?

O impacto está sendo muito grande. Todos os 577 shoppings no Brasil foram fechados. Estimamos uma perda de faturamento, até o momento, de cerca de R$ 25 bilhões. Aproximadamente 20% dos lojistas já fecharam ou declararam que vão fechar definitivamente seus estabelecimentos nos próximos 30 dias.

Qual a situação das lojas âncoras? Difere muito das de pequeno e médio porte?

A crise está afetando igualmente todos os lojistas, pequenos, médios ou grandes. As lojas âncoras, além de shoppings, possuem unidades em ruas, onde também estão fechadas. Apesar de algumas delas operarem no comércio on-line, isso é algo paliativo.

Os lojistas conseguiram descontos nos aluguéis e outras taxas?

Grande parte do setor isentou os lojistas dos aluguéis de março e abril, com vencimentos em abril e maio, respectivamente. Outra parte postergou o pagamento para o final do ano ou mesmo para 2021. Descontos de 20% a 50% também foram oferecidos, com pagamento futuro. O fundo de promoção foi praticamente zerado em todo o setor e o desconto da taxa de condomínio, na média, foi de 40%.

Nos últimos anos, os shoppings se destacaram bastante como opções de entretenimento e convivência. Com cinemas e espaços kids fechados, por exemplo, o senhor acredita que os empreendimentos voltarão à sua vocação inicial, ou seja, como verdadeiros centros de compras?

Acredito que a crise não mudará nossa estrutura de negócios. A população sempre vai precisar de lazer, entretenimento e alimentação. No começo teremos um novo normal, dentro de protocolos sanitários. Gradualmente voltaremos à nossa operação completa, com cinemas, teatros e brinquedotecas reabertos. Em um curto espaço de tempo não imagino as pessoas passeando e circulando como antes. O que temos notado nos 88 shoppings que já foram reabertos é que o público está indo para fazer compras mais assertivas e menos por impulso. O tempo médio de permanência, que era de 76 minutos antes da pandemia, hoje está em 25 minutos.

O novo normal, em um curto prazo, será viável economicamente?

Ele não dará os mesmos resultados de uma operação pré-pandemia, mas certamente será viável. Além de viável, será necessário para que a gente possa entender a dinâmica desse novo normal e como será o convívio em um mundo ameaçado por um vírus perigoso. A retomada, mesmo com atividades reduzidas, será fundamental para podermos encontrar novas curvas de funcionamento.

A Abrasce elaborou um protocolo de operações (veja ao final do texto) com mais de 20 medidas para a reabertura dos shoppings. Está havendo dificuldades para implementá-lo?

Não estamos tendo dificuldades. Os shoppings que já reabriram estão seguindo esse protocolo à risca e indo até além. Apesar de ser um protocolo interno de autorregulação, ele trabalha em conformidade com os decretos municipais. Nosso diálogo com o poder público é excelente. Todas as nossas medidas passaram por supervisão de infectologistas e profissionais da saúde e permitem uma redução muito grande do risco de contaminação.

Quando o senhor acha que os shoppings estarão completamente reabertos no país?

A reabertura tem que ser feita de forma muito consciente pelo poder público. Não estamos pressionando de forma alguma, mas sim passando dados, evidências e boas práticas utilizados no mundo e também aqui no Brasil para que os governantes tenham mais elementos para a tomada de decisões. Defendemos a reabertura em cidades ou regiões onde o quadro de evolução do vírus é baixo e o sistema de saúde consegue suportar a demanda de novos casos. O importante é reabrir com segurança e seguindo as recomendações científicas.

Fonte: Diário do Comércio

IMAGEM: Ed Danessi/Abrasce

PORTO DE PARANAGUÁ BATE RECORDE DE MOVIMENTAÇÃO EM ABRIL

O Porto de Paranaguá fechou o mês de abril com a maior movimentação de sua história. Foram 5,5 milhões de toneladas embarcadas, número 30,9% maior que no mesmo período de 2019.


“O sistema logístico do Paraná é muito bom em relação ao restante do país. Temos um porto eficiente, todo o Estado pavimentado e com asfalto de qualidade, embora algumas regiões precisem de duplicação. A preocupação é ampliar a malha de transporte ferroviário”, diz o consultor de logística da Resultados da pesquisa Resultados da Web Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo.


De janeiro a abril, o volume do porto também impressiona: 18,8 milhões de toneladas. Quase um terço desse volume – 5,8 milhões de toneladas – corresponde a carga de soja, o que atesta que essa movimentação intensa tem relação direta com a supersafra de grãos.


“Conseguimos atender a essa demanda perfeitamente, mostrando ao mercado que temos condições de atender a um volume maior, com a nossa qualidade já reconhecida”, ressalta o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.


A Ferroeste – Estrada de Ferro Paraná Oeste – também fechou abril com desempenho histórico, batendo recordes de movimentação da região Oeste, com 160 mil toneladas – ultrapassando o recorde anterior, registrado em abril de 2019, quando 115 mil toneladas haviam sido movimentadas.


Ampliações e Otimizações
Projeções do governo federal apontam que, dentro de uma década, o volume embarcado anualmente pelo Porto de Paranaguá deve saltar de 53 milhões de toneladas para 65 milhões de toneladas.“Precisamos resolver a interligação ferroviária entre Guaíra e Cascavel e, principalmente, priorizar o transporte por trens, para que possamos escoar a nossa produção de forma mais eficiente”, pontua Camargo.


“Precisamos nos preparar para esse aumento que deve ocorrer em dez anos. Alguns ajustes precisam ser feitos. Hoje, 75% do que são embarcados no Porto de Paranaguá chegam por via rodoviária. Não podemos manter a matriz logística de chegada em 75% rodoviário e 25% ferroviário. Temos que melhorar essa distribuição”, afirma Garcia.

Fonte: FAEPPR

Live: Apesar da pandemia, Paraná mantém logística eficiente da lavoura ao porto

Sistema logístico estadual bateu recordes de movimentação no primeiro quadrimestre deste ano e permitiu o escoamento da safra recorde

O ano de 2020 começou com recordes expressivos para o Paraná. Com a colheita praticamente encerrada, a safra de grãos 2019/20 chegou à marca histórica de 20,7 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab). Tão importante quanto ter eficiência na produção e na colheita é ter um sistema logístico capaz de escoar os produtos agropecuários, seja para o mercado interno, seja para a exportação. E neste sentido, o Estado também fez bonito, atingindo marcas sem precedentes. 

“O sistema logístico do Paraná é muito bom em relação ao restante do país. Temos um porto eficiente, todo o Estado pavimentado e com asfalto de qualidade, embora algumas regiões precisem de duplicação. A preocupação é ampliar a malha de transporte ferroviário”, diz o consultor de logística da FAEP, Nilson Hanke Camargo.

O corredor de exportação do Estado vem funcionamento muito bem, como comprovam os números. O Porto de Paranaguá fechou abril com a maior movimentação mensal de sua história: 5,5 milhões de toneladas embarcadas – 30,9% maior que no mesmo mês de 2019. De janeiro a abril, o volume também impressiona: 18,8 milhões de toneladas. Quase um terço desse volume – 5,8 milhões de toneladas – corresponde a carga de soja, o que atesta que essa movimentação intensa tem relação direta com a supersafra de grãos. Só em abril, o porto recebeu mais de 59 mil caminhões em seu pátio de triagem, sem que houvesse formação de filas na rodovia. 

“Conseguimos atender a essa demanda perfeitamente, mostrando ao mercado que temos condições de atender a um volume maior, com a nossa qualidade já reconhecida”, ressalta o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia. “A logística se mostrou eficiente, seguindo a condução que o governo vem dando, para que tenhamos um movimento ordenado, em que nenhum ponto falhe”, acrescenta. 

A Ferroeste – Estrada de Ferro Paraná Oeste – também fechou abril com desempenho histórico. A companhia bateu recorde de movimentação do volume transportado da região Oeste, com 160 mil toneladas transportando – ultrapassando o recorde anterior, registrado em abril de 2019, quando 115 mil toneladas haviam sido movimentadas. O maior volume transportado foi de soja e contêineres refrigerados com frango. No quadrimestre – de janeiro a abril – a movimentação chegou a 380 mil toneladas: 53% mais em relação ao mesmo período do ano passado. 

Gargalos 

Projeções do governo federal apontam que, dentro de uma década, o volume embarcado anualmente pelo Porto de Paranaguá deve saltar de 53 milhões de toneladas para 65 milhões de toneladas. Para que a operação continue sendo eficiente, os especialistas apontam que algumas otimizações devem ser feitas. Hanke Camargo destaca a necessidade da ampliação da malha ferroviária do Paraná e a criação de mais um ponto de acesso ao Porto de Paranaguá. 

“Precisamos resolver a interligação ferroviária entre Guaíra e Cascavel e, principalmente, priorizar o transporte por trens, para que possamos escoar a nossa produção de forma mais eficiente”, pontua o consultor da FAEP. 

“Precisamos nos preparar para esse aumento que deve ocorrer em dez anos. Alguns ajustes precisam ser feitos. Hoje, 75% do que são embarcados no Porto de Paranaguá chegam por via rodoviária. Não podemos manter a matriz logística de chegada em 75% rodoviário e 25% ferroviário. Temos que melhorar essa distribuição”, afirma Garcia.

Serviço

Transmissão ao vivo: Logística eficiente da lavoura ao porto

Quarta-feira (dia 13), a partir das 14 horas

Convidados: presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ágide Meneguette; o consultor de logística da FAEP, Nilson Hanke Camargo; e diretor-presidente da Portos do Paraná , Luiz Fernando Garcia.

Canais: Facebook e YouTube do Sistema FAEP/SENAR-PR

Fonte: FAEP/SENAR-PR

Pandemia: apesar da recessão mundial, agro do Paraná deve manter ritmo de exportações

Foto – Antonio Costa

Em março, a Organização Mundial do Comércio (OMC) publicou um estudo em que prevê que a pandemia do novo coronavírus irá provocar recessão em escala global. Conforme as projeções da entidade, o comércio mundial deve despencar entre 12,9% (no cenário mais positivo) e 31,9% (nas perspectivas mais negativas). A recuperação da economia só começaria a ocorrer ao longo de 2021. Apesar dessas perspectivas, a habilitação de novos frigoríficos, a demanda externa crescente por alimentos e as características dos principais produtos exportados pelo agronegócio levam a crer que o setor sofra menos que outras atividades econômicas.

Para os economistas da OMC, os efeitos do surto de Covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus) na economia sejam mais severos dos que os sentidos na crise financeira internacional de 2008. Conforme avaliação do diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, o foco dos países deve ser controlar a CORONAVÍRUS pandemia e, em segundo plano, mitigar as consequências econômicas. Dividido por regiões, o levantamento prevê a queda de 12,9% das exportações de países da América do Sul e Central, no cenário positivo; e de 31,3%, no cenário pessimista.

“Os inevitáveis declínios no comércio e na produção terão consequências dolorosas para famílias e empresas, além do sofrimento humano causado pela própria doença”, disse Azevêdo. “Esses números são feios, não há como contornar isso. Mas uma recuperação rápida e vigorosa é possível. (…) O comércio internacional será um ingrediente importante, juntamente com a política fiscal e monetária. Manter os mercados internacionais [exportações e importações] abertos e previsíveis, além de promover um ambiente de negócios mais favorável em geral, será fundamental para estimular o investimento renovado de que precisaremos”, acrescentou o diretor-geral da OMC.

Recuperação

Apesar da recessão vertiginosa esperada para 2020, a OMC projeta que a recuperação deve se dar de forma rápida, ao longo de 2021. No cenário otimista, as exportações dos países da América do Sul e América Central podem aumentar 18,6% no ano que vem, compensando, com sobras, a retração esperada para 2020. Na projeção pessimista, no entanto, as nações da região devem ampliar as vendas externas em 14,3%, compensando apenas em partes a queda prevista para este ano.

“O interessante é que, embora a previsão seja de queda generalizada no comércio entre os países em 2020, já no ano que vem a recuperação deve ocorrer de forma muito rápida. No caso da América do Sul, por exemplo, o cenário positivo projeta não só uma recuperação, mas um crescimento além do patamar em que as exportações estavam antes”, comentou Luiz Eliezer Ferreira, técnico do Departamento Técnico Econômico do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Em alta

Um dos indicadores que ajudam a formar convicção que o agronegócio brasileiro deve sofrer menos os impactos da crise são as exportações. No primeiro trimestre deste ano (já no período da pandemia), o Paraná ampliou em 2,25% o volume de vendas externas de produtos agropecuários, chegando a 5,3 milhões de toneladas. Com esse comércio, o Estado faturou US$ 2,7 bilhões, que, convertidos para reais, representam um aumento de receita da ordem de 14,7%.

“Até este momento, a pandemia não afetou negativamente as nossas exportações. E a tendência é de que não afete tanto em razão das características dos nossos produtos exportados, que são, principalmente, grãos e carnes, que têm uma grande demanda, principalmente por parte da China”, destacou Ferreira.

Os números comprovam a visão do economista. No primeiro trimestre de 2020, os embarques do complexo soja foram 7,3% maiores, chegando a 3,2 milhões de toneladas. As exportações de carnes tiveram aumento de 8,1%, atingindo 475 mil toneladas e as vendas de produtos do complexo sucro-energético saltaram 91%, totalizando 319 mil toneladas. Ou seja, a demanda segue aquecida para os principais produtos da pauta de exportação do agronegócio paranaense.

Outro fator que deve fazer com que o setor agropecuário passe a crise com menos solavancos é o câmbio. Com o dólar operando bem acima da casa dos R$ 5,00, os produtos brasileiros ganham competitividade no mercado internacional. Apesar de as cotações das commodities agrícolas, cujo preço é definido em bolsas de valores, estarem em queda desde o início do ano, o câmbio acaba compensando este movimento. “Como o dólar está muito valorizado, na conversão para reais, o produtor brasileiro sai ganhando”, sintetiza o técnico do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Nesta conjuntura, a tendência é de que a demanda internacional por produtos agropecuários comercializados pelo Paraná continue forte. Um bom indicador é a comercialização da safra de soja: até agora, 54% do volume já foi negociado, enquanto na safra passada, no mesmo período, apenas 28% haviam sido vendidos.

“O setor vai sofrer, é claro, algum impacto. Mas de forma diferente, de acordo com cada cadeia. Carnes e grãos devem ser menos afetados, porque a demanda internacional por esses produtos continuará alta. Já os produtos que não têm correlação de exportações nem formação de preços externos devem ser mais prejudicados. É o caso do setor lácteo, de frutas e de hortaliças”, analisou Ferreira.

Mesmo em meio à crise, Brasil abre novos mercados

Desde o início da pandemia, o Brasil recebeu diversos pedidos de abertura de novos mercados, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em março, 11 ações de abertura ou ampliação de mercados internacionais foram concretizadas.

“Temos recebido muitos pedidos de informação para aberturas de novos certificados. É uma demonstração de que o mundo está preocupado e vê o Brasil como motor de exportações do agronegócio. É uma janela maior de oportunidade que pode se abrir”, disse a ministra Tereza Cristina.

De acordo com o Mapa, as aberturas ou ampliação de mercados se concentram, principalmente, no setor de carnes, em especial, bovina e de frango, e em material genético avícola. Uma das ampliações diz respeito ao Egito, que habilitou 27 novos estabelecimentos brasileiros para exportação de carne de frango e renovou a autorização de outros 13. Os egípcios também habilitaram 15 novos frigoríficos de carne bovina e renovaram a certificação de 82 plantas.

O Brasil também abriu mercado com o Marrocos (para exportar pintos e ovos férteis), com a Argentina (para envio de lácteos para alimentação animal e para exportação de embriões bovinos, sêmen suíno e carne de rã), com os Emirados Árabes (para venda de ovos férteis e pintos) e com a Colômbia (carne bovina). Além disso, a China aprovou a lista de frigoríficos brasileiros a exportar pescados e a Indonésia aumentou em 20 mil toneladas a cota de importação de carne bovina do Brasil. Estão em negociação a intensificação de exportações de carne bovina e de frango à Malásia e Cingapura.

O presidente da Associação Brasileiras das Empresas Exportadoras de Carnes (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, também cita a abertura dos Estados Unidos que, desde fevereiro, vêm comprando matéria-prima brasileira para a fabricação de hambúrguer. Além disso, ele aponta que a estruturação da cadeia produtiva permite que o Brasil venha a atender a demandas de outros países.

“Temos o potencial da indústria voltado tanto para o mercado interno, quanto para o externo. Mas o que a gente vê é que, posteriormente a essa crise, haverá uma oportunidade, com mercados necessitando muito de matéria-prima”, disse Camardelli. “A gente precisa, primeiro, colocar a nossa bandeira nos novos mercados, independentemente do volume exportado. Depois, oportunizarmos o que temos de melhor: oferta, preço competitivo e um produto verde”, acrescentou.

Principal parceiro

Principal parceiro comercial do Brasil, a China é peça- -chave neste contexto. Em março, o Brasil exportou 126 mil toneladas de carne bovina ao gigante asiático – um recorde histórico para o mês. O consultor Felippe Reis, da Scot Consultoria, relembra que, além de ter sido o epicentro inicial do novo coronavírus, a China também enfrenta um surto de Peste Suína Africana (PSA), que dizimou mais da metade do rebanho de suínos do país. Em razão disso, a nação oriental, que tem quase 1,4 bilhão de habitantes, deve continuar mantendo sua demanda por proteína animal de outros países.

“Aí, o Brasil surge como grande oportunidade para eles [China]. Nós temos produção suficiente para atender ao mercado interno e, ainda, exportar um bom volume. Eles podem vir procurar o produto brasileiro com mais força. Apesar dos desgastes ocorridos [decorrentes de declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro e do ministro da Educação, Abraham Weintraub], a relação entre os dois países sempre foi muito boa”, apontou Reis.

A ressalva do consultor da Scot diz respeito ao mercado interno. Reis aponta que, no início da pandemia, alguns frigoríficos saíram das compras e chegaram a dar férias coletivas aos funcionários. Paralelamente, a consultoria diagnosticou um esfriamento das compras internas de carnes.

“Nesse período de quarentena, tivemos a diminuição da demanda em mercado interno via estabelecimentos, como restaurantes, bares e lanchonetes, que estão fechados. Outro ponto que pesa é que, com a população em quarentena, a tendência é a redução do consumo de carne, com as pessoas optando por congelados e enlatados”, disse Reis. “Por enquanto, temos grandes incertezas. Só mais para o fim de abril é que vamos ter um cenário mais claro que como se comportou o mercado interno e como foi a demanda internacional”, acrescentou.

Fonte: Sistema FAEP/SENAR-PR

COMUNICADO